Quando começar o tratamento ortodôntico? Veja os 5 sinais que merecem atenção e entenda por que avaliar cedo não significa colocar aparelho imediatamente.
Por Dra. Camila, Cirurgiã-Dentista Atualizado em Setembro/2026.

Quando o sorriso do nosso filho começa a mudar, é normal surgirem dúvidas.
“Será que esses dentes tortos vão se ajeitar sozinhos?”
“Ele ainda é pequeno demais para usar aparelho?”
“Preciso procurar um ortodontista agora ou posso esperar?”
A boa notícia é que você não precisa descobrir isso sozinha.
A ortodontia infantil permite acompanhar o desenvolvimento dos dentes e dos maxilares e identificar alterações que podem precisar de atenção.
E aqui está uma informação importante: levar seu filho ao ortodontista não significa que ele vai precisar colocar aparelho imediatamente.
A American Association of Orthodontists recomenda que as crianças façam uma avaliação ortodôntica por volta dos 7 anos. Nessa fase, já é possível observar a relação entre os dentes de leite e permanentes, o crescimento dos maxilares e possíveis alterações na mordida.
Então, vamos aos sinais que merecem atenção?
Ortodontia infantil: quando é hora de procurar um ortodontista?
Não existe uma idade única para começar o tratamento ortodôntico.
Algumas crianças precisam de acompanhamento ou intervenção ainda durante a troca dos dentes. Outras podem esperar até que mais dentes permanentes tenham nascido.
Por isso, existe uma diferença importante entre avaliar e tratar.
A avaliação serve justamente para descobrir o que está acontecendo e decidir se o melhor caminho é:
- começar um tratamento;
- acompanhar o crescimento por algum tempo;
- corrigir um hábito;
- ou simplesmente esperar o momento mais adequado.
Ou seja: aos 7 anos, a criança pode precisar de uma avaliação, mas isso não significa que precise de aparelho aos 7 anos.
5 sinais de alerta na ortodontia infantil
Agora sim, vamos aos sinais que você pode observar em casa.
Eles não significam necessariamente que seu filho precisa de aparelho, mas são bons motivos para conversar com um profissional.
1. Os dentes estão muito tortos, apertados ou sem espaço
É comum que os dentes das crianças pareçam um pouco desalinhados durante a fase de troca.
Mas quando os dentes estão muito apertados, sobrepostos ou parecem não ter espaço suficiente para nascer, vale a pena investigar.
Também merece atenção quando um dente permanente começa a nascer muito fora da posição esperada.
Uma avaliação pode mostrar se existe falta de espaço ou alguma alteração no desenvolvimento da arcada dentária.
2. A mordida não parece encaixar direito
Você já reparou como seu filho fecha a boca?
Quando os dentes superiores e inferiores não se encaixam adequadamente, pode existir uma alteração de mordida.
Alguns exemplos são:
Mordida cruzada: quando alguns dentes superiores ficam por dentro dos dentes inferiores ao fechar a boca.
Mordida aberta: quando permanece um espaço entre os dentes superiores e inferiores mesmo com a boca fechada.
Sobremordida profunda: quando os dentes superiores cobrem excessivamente os inferiores.
Mordida invertida: quando alguns dentes inferiores ficam à frente dos superiores.
Essas alterações podem ter diferentes causas e nem todas precisam ser tratadas imediatamente. Mas uma avaliação ajuda a entender se existe alguma interferência no crescimento ou na função.
3. Um dente permanente está demorando para nascer
Durante a troca dos dentes, existe uma sequência esperada de nascimento dos dentes permanentes.
Quando um dente de leite permanece por muito tempo, quando um dente permanente demora a aparecer ou quando ele começa a nascer em uma posição diferente da esperada, é importante investigar.
Às vezes, existe simplesmente uma variação normal.
Em outras situações, pode haver falta de espaço, alteração na posição do dente ou outro fator que esteja dificultando sua erupção.
Quanto antes o problema for identificado, mais informações o profissional terá para decidir o melhor momento de intervir.
4. Alguns hábitos continuam por muito tempo
Chupar o dedo e o uso prolongado da chupeta são hábitos de sucção que podem influenciar o desenvolvimento da mordida quando persistem por muito tempo.
O impacto depende de fatores como frequência, duração e intensidade do hábito, além da idade da criança.
Por isso, não é preciso entrar em pânico se seu filho teve ou ainda tem algum desses hábitos.
O mais importante é conversar com o odontopediatra e entender se o hábito está causando alguma alteração.
Em alguns casos, simplesmente interromper o hábito pode permitir que determinadas alterações melhorem espontaneamente. Em outros, pode ser necessário acompanhamento.
5. Seu filho perdeu um dente de leite antes da hora
Os dentes de leite não estão ali apenas para deixar o sorriso bonitinho durante a infância.
Eles ajudam na mastigação, na fala e também mantêm o espaço necessário para os dentes permanentes.
Quando um dente de leite é perdido muito cedo, os dentes vizinhos podem se movimentar e ocupar parte desse espaço.
Dependendo do caso, o dentista pode recomendar acompanhamento ou até um mantenedor de espaço.
Por isso, se seu filho perdeu um dente de leite precocemente por causa de cárie, trauma ou outro motivo, vale conversar com o odontopediatra.
Meu filho tem 7 anos. Já precisa usar aparelho?
Essa é provavelmente uma das maiores dúvidas dos pais.
E a resposta é: não necessariamente.
A recomendação de uma avaliação por volta dos 7 anos existe porque nessa fase muitos problemas podem ser identificados enquanto a criança ainda está crescendo e passando pela dentição mista.
Mas existem três possibilidades depois da avaliação:
“Vamos tratar agora.”
“Vamos acompanhar por enquanto.”
“Não há nada preocupante; podemos seguir com o acompanhamento de rotina.”
Cada criança tem um desenvolvimento diferente.
O momento ideal para iniciar um tratamento depende do tipo de alteração, do estágio de desenvolvimento dos dentes e dos maxilares e de outros fatores avaliados pelo profissional.
Qual é a melhor idade para colocar aparelho nos dentes?
Não existe uma idade mágica que funcione para todas as crianças.
Alguns problemas ortodônticos podem se beneficiar de uma intervenção enquanto a criança ainda está crescendo. Outros são tratados posteriormente, quando a maior parte dos dentes permanentes já nasceu.
Por isso, você pode encontrar crianças usando aparelhos diferentes em idades diferentes — e isso não significa que uma delas começou “cedo demais” ou “tarde demais”.
O tratamento deve ser planejado para aquela criança, e não para uma idade determinada.
Quais aparelhos podem ser usados na ortodontia infantil?
O aparelho escolhido depende do problema que precisa ser corrigido.
Entre as possibilidades estão:
- Aparelhos removíveis, usados em situações específicas.
- Expansores palatinos, que podem ser indicados para determinados problemas relacionados à largura da arcada.
- Mantenedores de espaço, quando existe risco de perda de espaço após a perda precoce de um dente de leite.
- Aparelhos fixos, utilizados principalmente quando é necessário movimentar dentes individualmente.
- Alinhadores transparentes, que podem ser indicados para alguns pacientes, dependendo da idade e do caso.
Não existe um aparelho “melhor” para todas as crianças.
O melhor aparelho é aquele que faz sentido para o problema que precisa ser tratado.
E a respiração pela boca? Ela pode ter relação com a ortodontia?
A respiração bucal merece atenção, mas é importante não simplificar demais esse assunto.
Uma criança que respira frequentemente pela boca pode ter diferentes causas, como alterações nas vias aéreas, congestão nasal persistente ou aumento de tecidos como as adenoides.
Além disso, a respiração e a postura da língua podem estar relacionadas ao desenvolvimento das estruturas orofaciais.
Por isso, se seu filho respira frequentemente pela boca, dorme de boca aberta, ronca ou apresenta dificuldade para respirar pelo nariz, converse com o pediatra e com o dentista. Dependendo da situação, outros profissionais também podem precisar participar da avaliação.
Respirar pela boca não significa automaticamente que a criança precisa de aparelho.
LEIA MAIS: Criança que Respira Pela Boca Dorme Mal: O Que Fazer?
Como é a primeira avaliação ortodôntica?
Essa consulta não precisa ser assustadora.
O profissional vai observar o desenvolvimento da criança e procurar sinais que indiquem alguma alteração.
Pode avaliar:
- posição dos dentes;
- nascimento dos dentes permanentes;
- espaço disponível;
- relação entre as arcadas;
- mordida;
- crescimento dos maxilares;
- hábitos de sucção;
- alterações funcionais.
Em alguns casos, exames de imagem ou outros registros podem ser indicados. Em outros, nem são necessários naquele momento.
E uma coisa é muito importante: às vezes, a melhor conduta é simplesmente acompanhar.
Isso também é tratamento preventivo.
Como os pais podem ajudar?
Você não precisa entender de ortodontia para cuidar do sorriso do seu filho.
Pequenas atitudes já fazem diferença:
Observe a troca dos dentes.
Perceba quando os dentes de leite caem e os permanentes começam a nascer.
Não ignore uma perda precoce.
Se um dente de leite foi perdido antes do esperado, converse com o dentista.
Cuide dos hábitos.
Chupeta e sucção de dedo persistentes merecem orientação profissional.
Mantenha as consultas odontológicas.
O odontopediatra acompanha o desenvolvimento e pode perceber alterações antes mesmo de elas chamarem sua atenção.
Não espere o problema ficar evidente.
A avaliação precoce existe justamente para identificar alterações enquanto ainda há tempo para decidir com calma o que fazer.
Quando procurar um ortodontista?
Se você percebeu dentes muito tortos, falta de espaço, alterações na mordida, perda precoce de dentes de leite ou algum outro sinal diferente no desenvolvimento do sorriso, vale marcar uma avaliação.
E mesmo quando tudo parece normal, uma avaliação ortodôntica por volta dos 7 anos pode ser útil para acompanhar o desenvolvimento.
O objetivo não é colocar aparelho o mais cedo possível.
É entender o que seu filho precisa — e, principalmente, o que ele não precisa.
Ortodontia infantil: o mais importante é saber o momento certo
Quando pensamos em aparelho ortodôntico, é fácil imaginar que o objetivo é simplesmente deixar os dentes retinhos.
Mas a ortodontia infantil vai muito além da estética.
Ela também envolve acompanhar o desenvolvimento da mordida, dos dentes e dos maxilares e reconhecer quando uma alteração precisa ser tratada — ou quando o melhor é simplesmente esperar.
Por isso, se você está olhando para o sorriso do seu filho e pensando “será que está tudo bem?”, não precisa esperar aparecer um problema maior para perguntar.
Uma avaliação pode trazer exatamente aquilo que toda mãe procura: tranquilidade para saber que está fazendo o melhor no momento certo.
Com carinho,
Camila – Mamãe Sorriso 💕
Mamãe, sua ideia é muito bem-vinda!
Quer sugerir temas, dúvidas ou assuntos que você gostaria de ver aqui no Mamãe Sorriso? Vou amar ouvir você
Envie sua sugestão ou mensagem pelo e-mail:
[email protected]FAQ: dúvidas sobre ortodontia infantil
1. Com que idade meu filho deve consultar um ortodontista?
A American Association of Orthodontists recomenda uma primeira avaliação ortodôntica por volta dos 7 anos. Isso não significa que toda criança precise iniciar tratamento nessa idade.
2. Toda criança de 7 anos precisa usar aparelho?
Não. Aos 7 anos, o objetivo principal é avaliar o desenvolvimento dos dentes, da mordida e dos maxilares. Algumas crianças precisam de tratamento nessa fase, enquanto outras apenas precisam ser acompanhadas.
3. Dentes de leite tortos significam que os dentes permanentes também serão tortos?
Não necessariamente. A dentição muda bastante durante a infância. Porém, desalinhamentos importantes ou falta de espaço podem justificar uma avaliação.
4. Meu filho perdeu um dente de leite cedo. Preciso procurar um ortodontista?
É recomendável conversar com o odontopediatra. Dependendo de qual dente foi perdido, da idade da criança e do estágio de desenvolvimento, pode ser necessário acompanhar ou preservar o espaço para o dente permanente.
5. Chupar o dedo pode causar problemas na mordida?
Pode. Quando o hábito de sucção persiste por muito tempo, especialmente com frequência e intensidade elevadas, pode influenciar o desenvolvimento da mordida. O impacto varia de criança para criança.
6. Aparelho ortodôntico dói?
Alguns aparelhos podem causar sensação de pressão ou desconforto leve, principalmente nos primeiros dias ou após ajustes. A intensidade varia conforme o aparelho e o tratamento.
7. Meu filho respira pela boca. Ele precisa de aparelho?
Não necessariamente. A respiração pela boca pode ter diferentes causas e precisa ser investigada. O ideal é conversar com o pediatra e com o dentista para entender o motivo.
8. Quanto tempo dura um tratamento ortodôntico infantil?
Não existe um tempo único. Depende do problema, do tipo de tratamento, do crescimento da criança e da resposta individual ao tratamento.
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