Método gentil e eficaz: passo a passo para retirar a chupeta do seu bebê de forma natural e respeitosa.
Por Dra. Camila, Cirurgiã-Dentista Atualizado 08/09/2026.

Tirar a chupeta pode parecer uma missão enorme quando ela é justamente aquilo que acalma o bebê, ajuda na hora de dormir e traz aquele conforto nos momentos mais difíceis.
Se você está se perguntando como tirar a chupeta do bebê sem trauma, quero começar te dizendo uma coisa: você não precisa transformar esse momento em uma batalha.
Como mãe e odontopediatra, eu sei que a chupeta não é simplesmente um objeto.
Para muitas crianças, ela representa aconchego, segurança e uma forma de se acalmar.
Por isso, o desmame da chupeta precisa considerar não apenas os dentinhos, mas também as emoções e a rotina da criança.
E é justamente sobre isso que vamos conversar.
Como tirar a chupeta do bebê sem trauma: antes de tudo, entenda por que ela é tão importante
A sucção é um comportamento natural do bebê.
Nos primeiros meses de vida, sugar ajuda a acalmar e pode trazer conforto. A própria odontopediatria reconhece que a chupeta pode ter benefícios em determinadas situações, especialmente no início da vida.
Então, se o seu bebê usa chupeta, não precisa carregar culpa.
O objetivo não é dizer que você fez algo errado.
O que precisamos observar é por quanto tempo, com que frequência e de que maneira essa chupeta está sendo utilizada.
Conforme a criança cresce, outras formas de conforto e comunicação vão ganhando espaço. E é nesse momento que podemos começar a reduzir o hábito com tranquilidade.
E quando a chupeta começa a preocupar o dentista?
O problema está principalmente no uso prolongado da chupeta.
A sucção frequente e mantida por muito tempo pode interferir no desenvolvimento da boca e favorecer alterações como mordida aberta anterior, mordida cruzada posterior e mudanças no posicionamento dos dentes.
Além disso, o uso após o primeiro ano de vida está associado a um aumento do risco de otite média.
Por isso, durante as consultas de odontopediatria, eu gosto muito mais de conversar com os pais sobre redução gradual e prevenção do que esperar a criança ficar maior para tentar resolver tudo de uma vez.
Existe uma idade certa para tirar a chupeta?
Essa é uma das perguntas que mais escuto dos pais.
E a resposta é: quanto antes o hábito começar a ser reduzido, melhor.
Algumas recomendações orientam iniciar a redução do uso ainda no segundo semestre de vida, enquanto a AAPD destaca a importância de interromper os hábitos de sucção não nutritiva até os 36 meses.
Na prática, eu gosto de orientar os pais a não esperar os 3 anos para pensar nisso.
Se a criança já passou da fase de bebê e ainda usa chupeta várias vezes ao dia, vale começar a conversar sobre o desmame.
Mas existe uma diferença importante:
Começar a reduzir não significa arrancar a chupeta de uma hora para outra.
Cada criança tem seu ritmo.
Como saber se chegou a hora de começar o desmame da chupeta?
Observe a rotina do seu filho.
Talvez ele já esteja usando a chupeta somente para dormir.
Talvez passe períodos inteiros sem lembrar dela.
Ou talvez peça a chupeta sempre que está cansado, frustrado ou inseguro.
Esses sinais ajudam a entender qual será a melhor estratégia para aquela criança.
Se a chupeta já está restrita ao sono, por exemplo, você já tem um ótimo ponto de partida.
E aqui vai uma dica de mãe:
Não compare seu filho com outra criança.
O amiguinho pode ter largado a chupeta em dois dias.
Seu filho pode precisar de duas semanas.
E tudo bem.
Como tirar a chupeta do bebê sem trauma: passo a passo
Agora vamos para a parte prática.
Não existe uma fórmula mágica que funcione para todas as crianças. Mas algumas estratégias tornam o desmame da chupeta muito mais tranquilo.
1. Comece diminuindo o uso durante o dia
Se seu filho fica com a chupeta na boca praticamente o dia inteiro, esse é um bom primeiro passo.
Você pode começar combinando:
“A chupeta vai ficar guardadinha e só vamos usar para dormir.”
No começo, ele provavelmente vai pedir.
E você pode acolher sem entregar imediatamente.
“Eu sei que você quer a chupeta. Você está cansadinho. Vamos ficar juntinhos um pouquinho?”
O objetivo é ensinar que existem outras formas de encontrar conforto.
2. Crie novos momentos de aconchego
Essa parte é muito importante.
Se a chupeta era usada para acalmar, precisamos oferecer novas possibilidades.
Pode ser:
- colo;
- abraço;
- uma naninha;
- um bichinho de pelúcia;
- uma história antes de dormir;
- música tranquila;
- carinho no cabelo;
- uma massagem;
- conversar sobre o que a criança está sentindo.
Não estamos simplesmente “tirando” algo.
Estamos substituindo aquele recurso por novas formas de segurança e conforto.
3. Tire a chupeta dos momentos em que ela não é realmente necessária
Às vezes a criança pede a chupeta por hábito, e não porque realmente precisa dela.
Antes de entregar, experimente perguntar:
“Você quer a chupeta porque está cansado ou porque quer um carinho?”
Pode parecer uma pergunta simples.
Mas, aos poucos, você começa a ajudar seu filho a perceber o próprio estado emocional.
4. Converse sobre a mudança
Mesmo crianças pequenas podem participar da preparação.
Explique de maneira simples:
“Você está crescendo. Daqui a pouco vamos deixar a chupetinha descansar.”
Não precisa fazer discursos longos.
Muito menos transformar o assunto em ameaça.
Evite frases como:
“Se você não largar a chupeta, vai ficar com os dentes feios.”
Isso pode gerar medo e vergonha.
A criança não precisa ter medo do dentista para cuidar da saúde bucal.
5. Escolha um período tranquilo
Eu evitaria iniciar o desmame justamente quando a família está passando por uma grande mudança.
Mudança de casa, chegada de um irmão, adaptação escolar, doença ou outras situações que alterem muito a rotina podem tornar a transição mais difícil.
Isso não significa que você precise esperar o “momento perfeito”.
Até porque… vamos combinar?
Com criança pequena, o momento perfeito provavelmente não existe. 😂
Escolha apenas uma fase em que vocês consigam oferecer mais presença e previsibilidade.
6. Crie um ritual de despedida
Para algumas crianças, funciona muito bem transformar o momento em uma pequena história.
Pode ser a Fada da Chupeta, por exemplo.
Ou vocês podem criar uma história própria:
“A chupetinha ajudou você quando era pequenininho. Agora você está crescendo e já aprendeu outras maneiras de dormir e se acalmar.”
O importante é que a despedida tenha significado.
E, principalmente, que não seja acompanhada de medo.
7. Mantenha a decisão depois que começar
Essa talvez seja uma das partes mais difíceis para os pais.
A criança chora.
Você fica cansada.
A noite não foi boa.
E vem aquele pensamento:
“Vou dar só hoje…”
Eu entendo.
Mas, se a decisão já foi tomada, voltar e oferecer a chupeta repetidamente pode tornar o processo mais confuso para a criança.
Por isso, prepare-se antes.
Combine com quem cuida dela.
E ofereça muito colo, presença e segurança.
E se meu filho chorar muito sem a chupeta?
Pode acontecer.
Afinal, ele está perdendo uma estratégia de conforto que fazia parte da rotina.
Chorar não significa necessariamente que você está causando um trauma.
O que faz diferença é como você acompanha esse choro.
Você pode estar presente.
Abraçar.
Conversar.
Ajudar a criança a se acalmar.
Validar o sentimento:
“Eu sei que está difícil. Você está com saudade da chupeta. Mamãe está aqui com você.”
Isso é muito diferente de deixar a criança sozinha com o sofrimento.
E se ele só usa a chupeta para dormir?
Na verdade, isso pode facilitar bastante o processo.
Se a chupeta já está restrita ao sono, não é necessário começar retirando tudo de uma vez.
Trabalhe primeiro na criação de uma rotina de sono previsível.
Banho.
Pijama.
Luz mais baixa.
História.
Carinho.
Música.
Colo.
E, aos poucos, a criança começa a perceber que aquele conjunto de experiências também significa:
“Está tudo bem. É hora de descansar.”
O que eu não recomendo fazer para tirar a chupeta
Existem algumas estratégias populares que eu prefiro que os pais evitem.
Não assuste a criança
Dizer que a chupeta está “contaminada”, que um monstro vai pegá-la ou que o dentista vai ficar bravo não é necessário.
O desmame pode ser firme sem ser assustador.
Não faça chantagem
Frases como:
“Se você for bonzinho, eu devolvo.”
podem transformar o processo em uma negociação interminável.
Prefira reforçar positivamente cada conquista.
Não compare
“Seu primo já largou.”
“Olha o coleguinha, ele não usa mais.”
Comparações podem gerar vergonha e não ajudam a criança a desenvolver autonomia.
Não corte ou danifique a chupeta
Essa dica aparece bastante na internet, mas eu não colocaria isso como estratégia.
Se a chupeta estiver rasgada, rachada ou danificada, ela deve ser substituída, e não modificada para tentar fazer a criança abandoná-la.
E quando a chupeta começa a afetar os dentes?
É aqui que entra uma parte muito importante do meu olhar como odontopediatra.
Quando a criança mantém um hábito de sucção por tempo prolongado, podemos observar alterações na forma como os dentes se posicionam e na relação entre as arcadas.
Uma das alterações mais conhecidas é a mordida aberta anterior, quando os dentes de cima e de baixo não conseguem se encostar adequadamente na região da frente.
Também podem aparecer alterações como mordida cruzada posterior.
A boa notícia?
Em algumas situações, quando o hábito é interrompido cedo, essas alterações podem melhorar espontaneamente durante o crescimento.
Por isso, não espere aparecer um problema maior para conversar com um odontopediatra.
A prevenção é sempre mais tranquila.
Chupeta e fala: preciso me preocupar?
Esse assunto merece um pouco de cuidado.
Não é correto dizer simplesmente que “chupeta causa atraso na fala”.
Mas uma criança que passa muito tempo com a chupeta na boca tem menos oportunidades de movimentar livremente a língua, balbuciar, conversar e experimentar sons.
Além disso, alguns serviços de saúde recomendam reduzir o uso justamente para ampliar essas oportunidades de comunicação.
Então, se seu filho já está na fase de falar, uma regra simples ajuda bastante:
Chupeta não precisa acompanhar a criança durante as brincadeiras, conversas e momentos de interação.
Como lidar com a resistência?
Aqui está uma coisa que eu gostaria que toda mãe soubesse:
Resistência não significa que você está fazendo errado.
Seu filho pode reclamar.
Pode pedir várias vezes.
Pode ficar mais manhoso por alguns dias.
Isso faz parte da adaptação.
O que você precisa observar é se a criança está conseguindo, aos poucos, encontrar outras maneiras de se acalmar.
Se a dificuldade estiver sendo muito grande, vale conversar com o pediatra ou odontopediatra.
Quando procurar um odontopediatra?
Eu recomendo procurar orientação profissional especialmente quando:
- a criança já passou dos 3 anos e mantém o hábito;
- a chupeta é usada durante praticamente todo o dia;
- você percebe alterações na mordida;
- existe preocupação com o desenvolvimento da fala;
- a criança começou a substituir a chupeta por sucção intensa do dedo;
- o processo está gerando muito sofrimento para a criança ou para a família.
Uma avaliação individual faz toda diferença, porque não existe uma idade ou estratégia única que sirva para todas as crianças.
Uma palavra de mãe para mãe
Se eu pudesse sentar ao lado de uma mãe que está passando por esse momento, eu provavelmente diria:
Respira.
Você não precisa resolver tudo hoje.
Seu filho não precisa largar a chupeta porque alguém disse que “já passou da hora”.
E você também não precisa se sentir culpada porque ele ainda usa.
O mais importante é entender que o desmame da chupeta é uma mudança de hábito.
E mudanças de hábito levam tempo.
Como mãe, eu sei que queremos poupar nossos filhos de qualquer sofrimento.
Mas, como odontopediatra, também sei que crescer envolve aprender novas formas de lidar com desconfortos, frustrações e despedidas.
Nosso papel não é impedir todas as dificuldades.
É estar perto enquanto eles aprendem a atravessá-las.
Como tirar a chupeta do bebê sem trauma: o que eu quero que você leve deste post
Se você chegou até aqui procurando como tirar a chupeta do bebê sem trauma, espero que tenha percebido que o caminho não precisa ser baseado em brigas, medo ou culpa.
Você pode começar reduzindo o uso.
Criar novos rituais.
Oferecer colo.
Conversar.
Respeitar o ritmo da criança.
E, principalmente, manter segurança e consistência durante a mudança.
A chupeta pode ter sido importante em uma fase da vida do seu filho.
Agora, aos poucos, ele pode descobrir que também consegue dormir, se acalmar e se sentir seguro de outras maneiras.
E talvez essa seja a parte mais bonita desse processo:
Não é apenas deixar a chupeta para trás. É descobrir, junto com seu filho, que ele está crescendo. 💕
Mamãe, sua ideia é muito bem-vinda!
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[email protected]Perguntas Frequentes ( FAQ)
1. A chupeta sempre prejudica os dentes do bebê?
Não. O risco está principalmente relacionado à frequência, intensidade e duração do hábito. O uso prolongado pode favorecer alterações na mordida e no desenvolvimento das estruturas da boca.
2. Qual é a melhor idade para tirar a chupeta?
Não existe uma única idade que sirva para todas as crianças. Porém, é recomendável começar a reduzir o hábito ainda cedo e evitar que ele se prolongue por vários anos. A AAPD recomenda a interrupção dos hábitos de sucção não nutritiva até os 36 meses.
3. É melhor tirar a chupeta de uma vez ou aos poucos?
Para muitas famílias, a redução gradual torna a mudança mais tranquila. Começar restringindo a chupeta a determinados momentos, como o sono, pode ser uma estratégia útil.
4. Meu filho só usa chupeta para dormir. Preciso tirar?
É um cenário mais fácil de trabalhar, porque o hábito já está restrito. Você pode começar fortalecendo outros rituais de sono e, posteriormente, trabalhar a retirada completa.
5. Meu filho está chorando muito sem a chupeta. O que faço?
Ofereça presença e conforto. Colo, carinho, conversa e uma rotina previsível podem ajudar bastante. Se a reação estiver muito intensa ou persistente, converse com o pediatra ou odontopediatra.
6. Meu filho começou a chupar o dedo depois que tiramos a chupeta. E agora?
Vale observar a frequência e a intensidade do novo hábito. Como a sucção do dedo também pode interferir no desenvolvimento da boca, converse com um odontopediatra para avaliar a melhor abordagem.
7. A chupeta pode prejudicar a fala?
O uso prolongado e frequente pode reduzir as oportunidades de balbuciar, conversar e movimentar a língua livremente. Isso não significa que toda criança que usa chupeta terá alteração de fala.
8. Quando devo procurar um odontopediatra?
Se a criança mantém o hábito por muito tempo, se você percebe alguma alteração na mordida, se existe preocupação com a fala ou simplesmente se não sabe como conduzir o desmame, vale buscar orientação individualizada.
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